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Contra Sainte-Beuve

Marcel Proust

CONTRA SAINTE-BEUVE

Contra Sainte-Beuve é o livro sombra de Em busca do tempo perdido. Antes de escrever sua obra-prima, Marcel Proust elabora neste livro as suas considerações mais profundas sobre a necessidade de escrever. Encontra-se aqui o arcabouço teórico de Em busca do tempo perdido. Proust revela o significado de sua escrita: dar forma à memória pessoal, fazê-la emergir de objetos vistos como ordinários. Escrever para dar uma marca da própria existência, que do contrário estaria perdida, na convicção de que nada parecido fora escrito antes. Contra Sainte-Beuve é um texto de extraordinária intensidade, sobretudo por sua forma direta.

Um misto de crítica literária e confissão pessoal, é um documento único da construção de uma obra imortal. Se na Busca do tempo perdido, de fato, é encenada a esplêndida construção artística é somente em Contra Sainte-Beuve que se há a oportunidade de sentir o pensamento em ato que se esconde por trás da obra-prima.

Aqueles que queimam livros

George Steiner

AQUELES QUE QUEIMAM LIVROS

Os livros são a nossa chave de acesso para nos tornarmos melhores do que somos. A capacidade deles de produzir essa transcendência suscitou discussões, alegorizações e desconstruções sem fim. O encontro com o livro, assim como com o homem ou a mulher, que vai mudar a nossa vida, frequentemente em um instante de reconhecimento do qual não se é consciente, pode ser completamente casual. O texto que nos converterá a uma fé, nos fará aderir a uma ideologia, dará a nossa existência um fim e um critério, podia estar ali a nos esperar na estante dos livros em promoção, dos livros usados e em desconto. Talvez empoeirado e esquecido, na estante exatamente ao lado do livro que procurávamos.

As palavras não são deste mundo

Hugo von Hofmannsthal

AS PALAVRAS NÃO SÃO DESTE MUNDO

Entre as correspondências que Hugo von Hofmannsthal guardou (1874-1929), as cartas trocadas na juventude com Edgar Karg (1872-1905) ocupam um lugar de destaque, tanto que próprio poeta chegou a pensar em publicar boa parte delas, em uma antologia que recolheria o melhor da sua produção juvenil. Ao mesmo tempo que o seu precoce talento é celebrado nos círculos literários, Hofmannsthal procura aqui aproximar à própria existência de «poeta» um amigo que, ocupado nos serviços da Marinha frequentemente muito distantes, não pode compartilhar com ele a mesma riqueza cultural. Não se tratava, porém, de fazer trabalho de baixa divulgação, mas, sim, de liberar a poesia da atmosfera artificiosa dos salões e das academias, colocando-a em relação à existência dos homens. Temas e problemas que desempenham um papel fundamental na sua obra e em boa parte da poesia moderna, são, aqui, enfrentados de maneira imediata, e são continuamente confrontados e relacionados às experiências cotidianas e aos afetos comuns. De um lado os primeiros passsos dados por Hofmannsthal no «caminho em direção à vida», na tentativa de romper, graças a essa amizade, o isolamento do artista. Do outro uma límpida, inédita perspectiva sobre a reflexão empreendida por Hofmannsthal sobre a literatura, sobre a sua relação com a vida, e em geral sobre a amizade e a formação do indivíduo. Um daqueles raros casos em literatura em que a expressão une felizmente imediatismo e profundidade.

Viagem na Rússia

Joseph Roth

VIAGEM NA RÚSSIA

No verão de 1926, o Frankfurter Zeitung propôs a Joseph Roth uma viagem à Rússia. Apesar dos primeiros anos de entusiasmo pela revolução, quando assinava como «Roth, o Vermelho», ele atravessava, agora, um período de dúvida: assim viu a viagem como uma preciosa  ocasião para verificar suas convicções. Atencioso, curioso, vagou pelas grandes cidades, seguiu o curso do Volga, embrenhou-se entre os povos da Ásia, escrevendo no calor do momento suas correspondências. No início, sua atitude é de  forte simpatia por esse mundo em formação. Mas sua lucidez lhe permite ver a miséria sombria daquele «homem novo» que já se encontra em cada esquina. Enquanto legiões de escritores ocidentais visitariam a Rússia por décadas, competindo (com poucas exceções) em cegueira e servilismo, Roth viu e soube narrar tudo aquilo que então se podia ver.

Estas páginas vibram não apenas pela arte magistral do escritor, mas pela clarividência do testemunho. A Walter Benjamin, quando se encontraram em Moscou, Roth disse ter partido bolchevique e regressado monárquico. Esta viagem é um dos primeiros testemunhos iluminados de um escritor ocidental sobre a Rússia soviética, mas também marca um passo decisivo na evolução de Roth. Como lemos em uma carta que ele enviou de Odessa para Bernhard von Brentano: «É uma grande fortuna ter feito esta viagem na Rússia: do contrário nunca teria me encontrado».

Contra a bomba atômica

Elsa Morante

CONTRA A BOMBA ATÔMICA

No prefácio a este impressionante Pró ou contra a bomba atômica, da escritora italiana Elsa Morante, o pesquisador e tradutor Davi Pessoa chama a atenção para o quanto essa reunião de textos-ensaios se cumpre, politicamente, a partir de um emaranhado em potência contra um sistema da desintegração. Elsa é um caso singular entre ação livre e invenção severa de escrita e pensamento, porque imagina mundos que ainda podem advir da literatura exatamente quando a projeta como forja e mistério. Tal como diz Giorgio Agamben ao sugerir que para ela, na literatura, a vida se apresenta misteriosamente. É o que se infere, por exemplo, em seus livros L’Isola di Arturo [1957] ou La Storia [1974], que podem ser lidos como uma espécie de estocada em torno da desumanização [que não é tratada como um tema nem com doses sentimentais próprias do que impera midiaticamente ao nosso redor], mas quando a felicidade, este tema sério e a sério, acontece como uma paródia e como um limbo.

É a experiência da ficção-crítica levada ao extremo da fabulação, procedimento também caro a Pasolini, um melhor entre os amigos, e a Alberto Moravia, companheiro de uma vida quase-inteira. O  empenho de Elsa para com o despojamento da ficção ao gesto de repetir até tocar um diferimento para o incomum, o ensaio, nesta reunião publicada dois anos depois de sua morte, em 1987, desfaz os termos, os conceitos, a fragilidade dos gêneros, e reabre um apontamento acerca disso que insistimos, com todo teor conservante, em chamar de contemporâneo. Diz ela: “As classes dirigentes contemporâneas, penosa expressão da cultura pequeno-burguesa, batem verdadeiramente o recorde da diminuição humana: conciliando, ao mesmo tempo, a frustração do erotismo e o sono da razão.”

E vale muito o esforço expandido, também político para publicar este livro no Brasil diante de tantas afirmativas óbvias que o recusaram. Ao lê-lo, com vagar e a fundo, entende-se bem alguns motivos. Um deles é que onde prolifera pensamento não brota o “romancezinho” ou o “criticozinho”. Agora temos finalmente circulando entre nós este livro urgente.

Manoel Ricardo de Lima

Ler e escrever

V.S. Naipaul

LER E ESCREVER

Naipaul mais de uma vez retomou com a memória ao tempo em que, ainda criança em Trinidad, ele sonhava em se tornar um grande escritor. Mas jamais nos havia contado com a vibrante força destas páginas como se aproximou à escrita e, antes ainda, à leitura; como conseguiu criar, em uma colônia na periferia do Império Britânico, um mundo só seu, alheio à literatura na qual se formou. Nem jamais havia confessado em que medida a relação com a Índia – «a grande ferida» de todos os emigrantes indianos nas ilhas do Novo Mundo – agiu em profundidade na sua vida, suscitando um jogo dramático de atrações e resistências. Aos poucos, Naipaul entendeu que a tarefa da sua obra literária era a tenaz exploração daquelas «áreas de escuridão» que marcaram sua infância e juventude. E, enquanto isso ocorria, mudava e se definia cada vez mais claramente nele o significado das obscuras potências que respondem pelo nome de ler e escrever. Esse emaranhado de questões encontrou voz em 2000, no ensaio que dá o título ao volume e, no ano seguinte, como uma espécie de conclusão natural, em seu discurso em ocasião do Prêmio Nobel.

Proust contra a degradação

Joseph Czapski

PROUST CONTRA A DEGRADAÇÃO

Entre 1940 e 1941 no gulag de Grjazovec, quatrocentos quilômetros ao norte de Moscou, um grupo de oficiais poloneses detidos encontra uma maneira decididamente incomum e eficaz de resistir à aniquilação moral e intelectual. De maneira alternada entretinham os companheiros de cativeiro – amontoados em uma sala, exaustos depois de horas passadas trabalhando ao ar livre, na feroz geada do inverno russo – discorrendo sobre tópicos com os quais eram particularmente familiares. O resultado é uma série de lições reais, quase clandestinas, sobre os temas mais díspares: da história do livro à da Inglaterra, do alpinismo à arquitetura. Joseph Czapski, pintor e escritor, conversa de pintura francesa e pintura polonesa, bem como de literatura francesa. E, acima de tudo, recorda e comenta – citando de cabeça, sem consultar qualquer fonte material, e ainda com uma precisão surpreendente – páginas inteiras de Em busca do tempo perdido de Proust, uma obra que a União Soviética havia colocado no índex como uma expressão paradigmática da literatura burguesa decadente. E o resultado – que agora temos acesso graças à transcrição em francês que o próprio Czapski fez “no calor do momento" – não é apenas uma demonstração do poder da memória e o testemunho de um modelo muito singular de resistência, mas também uma leitura de Proust de suprema fineza.

Na pré-venda, você pode adquirir o livro a um preço promocional de R$49,00. As entregas serão feitas a partir de 10 de abril.

A musa em exílio

Joseph Brodsky

A MUSA EM EXÍLIO

Como nasce a poesia? De qual misterioso labor é êxito? Qual é sua tarefa? Quem se colocou, ao menos uma vez, uma dessas perguntas poderá enfim encontrar nestas entrevistas – que cobrem a vida de Brodsky no exílio, desde o início da década de 1970 até poucas semanas antes de sua morte súbita em New York em 1996 – respostas de uma clareza audaz. Descobrirá que a poesia é «um acelerador incrível do processo cognitivo», «nosso objetivo antropológico, nosso objetivo genético», e que não há melhor instrumento para «mostrar às pessoas a verdadeira versão da escala das coisas». Descobrirá também que o que sempre considerou artifícios técnicos inescrutáveis – esquemas métricos, por exemplo – são, na verdade, «padrões mágicos», «ímãs espirituais», capazes de afetar profundamente a poesia, fazendo com que um conteúdo moderno expresso segundo uma forma fixa (um soneto, por assim dizer) possa assustar tanto quanto «um carro indo pela pista errada numa rodovia». Brodsky sabia iluminar o trabalho dos poetas que amava – Auden, Frost, Kavafis, Mandelstam, Akhmátova, Tsvetáeva Miłosz, Herbert, para limitarmo-nos a seus contemporâneos – com uma lucidez sempre acompanhada de uma vibrante participação: «Eu dificilmente extraio tanta alegria da leitura como quando estou lendo Auden. É uma verdadeira alegria, e, com alegria, não quero dizer simplesmente prazer, pois a alegria é algo muito sombrio em si mesmo». Essas conversações servirão também como um guia à melhor poesia: esse «esforço estético» capaz de frear «nossa bestialidade».

Nuvens de algodão

Abbas Kiarostami

NUVENS DE ALGODÃO

Uma poética das pequenas coisas que encanta com a transparência de suas imagens: a brancura do amanhecer, uma paisagem nevada, os viajantes, um barco sem vela. As composições poéticas de um dos mestres do cinema mundial, confirmam o seu extraordinário talento para fixar momentos de sugestão. "A poesia de Kiarostami é a continuação natural e evoluída do seu cinema. A essência de sua poesia é a mesma simplicidade, sinceridade e precisão. Nesse sentido, chega a níveis que não necessariamente poderia chegar no cinema“. Mortezá Kaji

Um bárbaro no jardim

Zbigniew Herbert

UM BÁRBARO NO JARDIM

Zbigniew Herbert era, além de poeta, um ensaísta incomparável. A solidez e clareza de sua prosa são um verdadeiro prodígio. Um bárbaro no jardim nos faz viajar pelas terras da Europa e sua história: desde a arte e a cultura que começam das pinturas rupestres de Lascaux até os dias hoje. Visita a França e também a Itália: as contribuições de Magna Grécia que Herbert descobre nas ruínas clássicas de Paestum, a maravilha das antigas fortalezas e as catedrais góticas e românicas, os jardins à anglaise da França ilustrada, o trágico destino dos albigenses, a exuberância do Renascimento italiano - Duccio, Sassetta, Piero della Francesca, Fra Angelico-, tecem um quadro feito de esclarecedoras e sutis iluminações.

Riminhas para crianças grandes
Novo!

Wisława Szymborska

RIMINHAS PARA CRIANÇAS GRANDES

Além de autora da singular poesia que conquistou o mundo, a polonesa Wisława Szymborska era também uma artista "arteira". Este livro apresenta uma faceta da autora que é praticamente desconhecida do público brasileiro. Trata-se de uma seleta de traduções de suas brincadeiras poéticas, pois a poeta mantinha viva a criança interna, inventando novos gêneros de poesia nonsense (moscovinas, altruitinhas, melhoríadas, dasvodcas e escutações) e praticando gêneros já consagrados, como os limeriques. O livro é um convite para o leitor se surpreender, sorrir e, quem sabe, inspirar-se a criar suas próprias brincadeiras literárias. Além das riminhas, como as chamou a poeta, o livro contém também uma seleta de colagens de sua autoria. Todo ano Szymborska se fechava em seu apartamento, avisando que não receberia visitas, pois iria brincar de ser artista. Confeccionava então obras de arte plástica marcadas pelo senso de humor e sensibilidade plástica incomuns. As esmeradas colagens eram presentes para os amigos, sorrisos particulares que a poeta enviava como postais àqueles que lhe eram próximos.

Psicopolítica

Byung-Chul Han

PSICOPOLÍTICA

Uma possibilidade infinita de conexão e informação nos torna sujeitos verdadeiramente livres? Partindo dessa questão, Han delineia a nova sociedade do controle psicopolítico, que não se impõe com proibições e não nos obriga ao silêncio: convida-nos incessantemente a nos comunicar, a compartilhar, a expressar opiniões e desejos, a contar nossa vida. Ela nos seduz com um rosto amigável, mapeia nossa psique e a quantifica através dos big data, nos estimula a usar dispositivos de automonitoramento. No pan-óptico digital do novo milênio - com a internet e os smartphones – não se é mais torturado, mas tuitado ou postado: o sujeito e sua psique se tornam produtores de massas de dados pessoais que são constantemente monetizados e comercializados. Neste ensaio, Han se concentra na mudança de paradigma que estamos vivendo, mostrando como a liberdade hoje caminha para uma dialética fatal transformando-a em constrição: para redefini-la é necessário tornar-se herege, voltar-se para a livre escolha, para a não conformidade.

Melancolia de esquerda

Enzo Traverso

MELANCOLIA DE ESQUERDA

A melancolia de esquerda sempre existiu. Não é nostalgia pelo socialismo real, mas uma "tradição esquecida" que não pertence à narrativa canônica do socialismo e do comunismo, com a sua fé no progresso e o orgulho de saber combater lutas justas e vitoriosas. A melancolia esquerda encarna o espírito da dúvida, longe dos mitos e da propaganda. Sabe que os totalitarismos podem retornar, que a história é imprevisível, que as lutas do presente devem manter os olhos abertos sobre as derrotas passadas, porque cada tragédia guarda uma promessa de redenção e o olhar dos vencidos é mais penetrante do que o dos vencedores. As ruínas das batalhas perdidas são o coração de onde nascem novas ideias e novos projetos. Com o colapso do Muro de Berlim não chegou ao fim apenas o socialismo real; exauriu-se também o tempo das utopias com as quais queríamos mudar o mundo, forçando-nos a colocar em questão as ideias com quais havíamos tentado interpretá-lo. Enzo Traverso percorre os vestígios de uma cultura de esquerda, que ao ser capaz de fazer as contas com a derrota, pode talvez se repensar. Estas páginas interpelam as grandes figuras que marcaram a história desta tradição subterrânea: de Marx a Benjamin, até Daniel Bensaid, passando pela pintura de Gustave Courbet e os filmes de Chris Marker e Theo Angelopoulos, demonstrando com vigor e de maneira contra-intuitiva toda a carga subversiva e libertadora do luto revolucionário. Um livro que explica o que é a cultura de esquerda, revelando as suas complexidades e entrechos.