Bruxas – A força invencível das mulheres

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«Ao aniquilar por vezes famílias inteiras, fazendo reinar o terror, reprimindo sem dó alguns comportamentos e algumas práticas que passaram a ser considerados intoleráveis, as caças às bruxas contribuíram para formar o nosso mundo. Se não tivessem acontecido, viveríamos provavelmente em sociedades muito diferentes. Elas nos falam muito sobre as escolhas que foram feitas, os caminhos que foram privilegiados e os que foram condenados. No entanto, nós nos recusamos a encará-las. Mesmo quando aceitamos a realidade desse acontecimento histórico, achamos um jeito de mantê-lo à distância. Assim, com frequência cometemos o erro de situá-lo na Idade Média, descrita como uma época remota e obscurantista, com a qual não teríamos mais nada a ver […]. A bem da verdade, é exatamente porque as caças às bruxas nos falam do nosso mundo que temos excelentes razões para não encará-las. Arriscar-se a isso é confrontar-se com a faceta mais desoladora da humanidade.»

Rebeldes, anciãs, solteironas, libertinas, pecadoras: aqui estão alguns dos nomes usados para rotular mulheres que não se conformam ao sistema de valores patriarcais que, ainda hoje, parece tão difícil erradicar. De acordo com Mona Chollet, o fenômeno secular da caça às bruxas, que desde o final do século XV reduziu as mulheres a um estado de sujeição, não está de modo algum desvinculado da atual condição feminina. Em vez disso, estaria em sua origem, se é verdade que, «ao aniquilar por vezes famílias inteiras, fazendo reinar o terror, reprimindo sem dó alguns comportamentos e algumas práticas que passaram a ser considerados intoleráveis, as caças às bruxas contribuíram para formar o nosso mundo». Um mundo em que, muitas vezes, são as próprias mulheres quem projetam uma visão masculina sobre si mesmas, trancando-se no próprio espaço doméstico, anulando seus desejos a fim de se afastarem das criaturas malignas a serem jogadas às chamas. Um mundo em que, muitas vezes, são as próprias mulheres que acendem as chamas. Mona Chollet, colocando-se em jogo, explora o legado da caça às bruxas na Europa e nos Estados Unidos, analisando como a nossa sociedade herdou, e moldou, as representações e os preconceitos sobre as mulheres, produzindo «no melhor dos casos, censura ou autocensura, proibições; no pior, hostilidade ou mesmo violência». Ao fazê-lo, ela se concentra em alguns dos aspectos em consequência dos quais algumas mulheres ainda parecem intoleráveis — a independência, a decisão de não ser mãe, e o envelhecimento da «velha megera» culpada de uma velhice vergonhosa e diabólica — traçando, enfim, um pano rama do domínio de uma ciência arrogante que despreza o feminino ao qual se associa uma natureza a ser dominada e atacada em nome de uma razão nem sempre racional. Séculos depois — Mona Chollet parece nos dizer — as bruxas saíram dos livros de história, indo parar no Instagram ou nas praças, lutando por reivindicações salariais ou então se posicionando contra Donald Trump: encarnações da mulher livre, ainda sem perdão para o sistema de domínio patriarcal, essas mulheres apontam o dedo para um novo obscurantismo, reiterando em voz alta a existência de um destino alternativo à «beleza inofensiva» e à «gentileza murmurante».

Acompanhe a playlist sobre o livro Bruxas produzida por Uiara Azevedo, no Spotify:

Mona Chollet
Mona Chollet é uma escritora e jornalista franco-suíça. Editora-chefe do Le monde Diplomatique, colaborou com o Charlie Hebdo.
Peso 600 g
Dimensões 14 × 1 × 20 cm
Tradutora

CAMILA BOLDRINI

Número de páginas

296

ISBN

978-6559980512

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