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Biblioteca Antagonista X

Livros:

Terror e modernidade

Donatella di Cesare

TERROR E MODERNIDADE

Somos propensos a ver os ataques terroristas como uma aberração, uma incursão violenta em nossas vidas que não teriam relação intrínseca com as características fundamentais das sociedades modernas. Mas seria essa visão uma interpretação errônea da relação entre o terror e a modernidade? Neste livro, a filósofa Donatella Di Cesare adotando uma abordagem histórica argumenta que o terror não é um fenômeno novo, mas sim parte fundante da modernidade. Em seu nível mais básico, o terrorismo é sobre a luta pelo poder e pela soberania. A crescente concentração de poder nas mãos do Estado, elemento constitutivo das sociedades modernas, prepara o terreno para o terrorismo, que é utilizado como arma por aqueles que são expostos à violência do Estado e sentem que não possuem outra alternativa. Sob o pano de fundo de um conflito entre esquerda e jihad se ergue o terror do capitalismo global, emerge aquela insônia policialesca que sustenta a nova fobocracia.

Como se você comesse uma pedra

Wojciech Tochman

COMO SE VOCÊ COMESSE UMA PEDRA

«Milhares de comunicados, reportagens, exposições, livros, álbuns, documentários e filmes de ficção sobre a guerra da Bósnia foram produzidos. Mas, quando a guerra acabou (ou, como julgam alguns, ficou interrompida por algum tempo), os repórteres embalaram suas câmeras e imediatamente partiram para outras guerras.»

Desde 1996, a antropóloga Ève Klonowski passa seus dias e suas noites se recuperando e tentando identificar os restos dos desaparecidos na Bósnia. É assim que ela pode, então, devolvê-los a seus familiares, que se sentem quase felizes por poderem enterrar seus entes queridos. 

Passados dez anos da guerra e da limpeza étnica, o autor nos brinda com um depoimento emocionante. Mediante o destino cruzado de várias mulheres corajosas e admiráveis, ele evoca, de maneira oposta à mídia sensacionalista, os traumas e as feridas de um passado que continua presente.

O talento do autor e sua sensibilidade excepcional tornam este documento universal e contundente. Será que algo pode nos justificar e tirar dos nossos ombros o fardo da culpa e da vergonha? Talvez apenas a ignorância…

Tochman descreve aqui tudo o que a crueldade engendrou. Revela o medo dos executores e das vítimas, sendo o dos executores ainda maior do que aquele das vítimas. Apresenta indivíduos e famílias, criando assim uma imagem da sociedade. A leitura deste livro é fundamental. Trata-se de um relato limpo, sem palavras desnecessárias.

Blues do fim dos tempos

Ian McEwan

BLUES DO FIM DOS TEMPOS

A humanidade sempre se deixou encantar pelas histórias que anunciavam sua destruição total: os últimos dias, o fim dos tempos, a extinção da vida no planeta. Hoje, a fantasia de um fim violento e coletivo ressurge nos movimentos apocalípticos: pacíficos ou belicosos, muçulmanos ou cristãos, mas todos capazes de influenciar a política contemporânea. Assistimos impotentes ao reaparecimento do pensamento apocalíptico, porque a ciência e a cultura da razão ainda não conseguiram encontrar uma mitologia que possa competir com o encanto do fim. Mas se a crença apocalíptica é uma função da fé, aquela íntima convicção que não requer confirmação alguma, então o antídoto não é tanto a razão quanto o impulso humano para a curiosidade. Porque o mandato de nossa maturidade é agir com sabedoria, escolhendo entre a salvação e a autodestruição. De um mestre da literatura contemporânea, uma reflexão provocante e surpreendente sobre as formas de olhar para a nossa existência coletiva.

Novo esclarecimento radical

Marina Garcés

NOVO ESCLARECIMENTO RADICAL

Autoritarismo, fanatismo, catastrofismo, terrorismo são algumas das facetas de uma poderosa reação anti-ilustração que domina as histórias do nosso presente. Em face da crise atual da civilização, parece haver apenas duas saídas: condenação ou salvação. O que esse dilema esconde é uma rendição: nossa renúncia à liberdade, isto é, a melhorar, juntos, nossas condições de vida. Por que acreditamos nessas histórias apocalípticas? Que medos e oportunismo os alimentam? Este livro está comprometido com uma nova ilustração radical, uma atitude de combate contra as credulidades do nosso tempo e suas formas de opressão.

Instruções para se tornar um fascista

Michela Murgia

INSTRUÇÕES PARA SE TORNAR UM FASCISTA

Instruções para se tornar um fascista é um livro urgente, que nasce para despertar consciências, para nos provocar e nos chamar a atenção. Mas que também serve como espelho, no qual podemos encarar diretamente os lados mais sombrios que vivem em cada um de nós. Sob a falsa aparência de um manual, a obra reflete sobre o surgimento de movimentos neofascistas, investigando por que as pessoas se sentem cada vez mais atraídas por esses movimentos e fazendo um alerta poderoso: não querer reconhecer que eles «já estão aqui», ou a importância que têm, já não é uma opção. Por vezes, subestimamos e chegamos a ridicularizar o eleitor desses partidos sem entender ou estudar suas motivações; outras vezes, somos tomados de um medo genuíno de recebermos o rótulo de antidemocráticos por não tolerarmos opiniões diferentes. A autora se move com grande talento entre a ironia e a provocação. Além das instruções para realizar a suposta "conversão" de um indivíduo em um fascista, descritas no texto de forma muito bem-sucedida, Michela Murgia propõe um exercício divertido ao final do livro: o fascistômetro, uma lista de afirmações que desafia aqueles que acreditam que o fascista é sempre o outro. Qual o grau de fascismo existente em nossa sociedade, em nosso ambiente e em nós mesmos?