Editora Âyiné Editora Âyiné

Biblioteca Antagonista II

Livros:

Coleção completa Biblioteca Antagonista II

COLEÇÃO COMPLETA BIBLIOTECA ANTAGONISTA II

A Biblioteca Antagonista agora cabe na sua estante!

Adquira com desconto a coleção completa

Box exclusivo com as 12 obras em edição especial e limitada. Filosofia, política e literatura na companhia de quem melhor entende do assunto.

O Box, com a coleção completa, é uma edição especial e limitada. Você pode parcelar em até 4 vezes sem juros no cartão. Envio a partir do dia 16/12

13. LEOPARDI | Pensamentos

14. MARINA TSVETÁEVA | O poeta e o Tempo

15. PROUST | Contra Sainte-Beuve

16. GEORGE STEINER | Aqueles que queimam livros

17. HOFMANNSTHAL | As palavras não são deste mundo

18. JOSEPH ROTH | Viagem na Rússia

19. ELSA MORANTE | Contra a bomba atômica

20. STIG DAGERMAN | A política do impossível

21. MASSIMO CACCIARI - PAOLO PRODI | Ocidente sem utopias

22. ROGER SCRUTON | Confissoões de um Herético

23. DAVID VAN REYBROUCK | Contra as eleições

24. V.S. NAIPAUL | Ler e escrever

Pensamentos

Giacomo Leopardi

PENSAMENTOS

Os Pensamentos de Leopardi apareceram postumamente em 1845, mas já haviam sido escolhidos e organizados por ele mesmo; a eles Leopardi alude em uma carta, pouco antes de sua morte, como sendo um «volume inédito de Pensamentos sobre o caráter dos homens e sua conduta em Sociedade». Muitos desses fragmentos foram extraídos do vasto laboratório do Zibaldone, outros eram completamente novos. Em comparação com as primeiras composições zibaldonianas, íntimas e imediatas, esses Pensamentos foram submetidos a um trabalho de sutil acabamento estilístico, o que os torna de uma clareza cruel, como fossem epígrafes esculpidas no teatro móvel da vida.

Percebe-se nestas páginas, escreveu Sergio Solmi, certo caráter de «glacialidade» e, ao mesmo tempo escrupulosa precisão em revelar os mecanismos nas relações sociais e nas mentes dos homens, esses seres «míseros por necessidade, e firmes em acreditar-se míseros por acidente». Ao lado do grande lírico da desolação e da fabulosa infância, havia em Leopardi um La Bruyère envolto de uma áurea gnóstica, e que em nenhum outro escrito falou com tanta lucidez como nestas anotações.

O poeta e o Tempo

Marina Tsvetáeva

O POETA E O TEMPO

Marina Tsvetáeva fixou o olhar longamente, ao longo de toda a sua vida, sobre uma divindade aterrorizante: o tempo. «Dou ouvidos a algo que soa dentro de mim de maneira constante, mas não regular, dando-me ora indicações, ora ordens. Quando indica – discuto; quando ordena – obedeço». Esse «algo que soa­» era a palavra de poesia. O tempo aterroriza porque «ele só corre porque corre, corre para correr», mas «não corre para lugar nenhum»

A palavra poética, que se pretende absoluta desde os grandes românticos, é o paradoxo de um imponderável que permanece intacto, presa de nós todos, que «somos lobos do bosque impenetrável do Eterno».

Sobre essa tensão,  que vibra um instante antes de se romper, Marina Tsvetáeva construiu a sua obra. O livro que aqui se apresenta reúne três ensaios que possuem exatamente essa tensão como objeto, tocando assim o segredo de Tsvetáeva. Desde Novalis, raras vezes o risco da poesia como absoluto encontrou uma formulação tão drástica, tão elementar, tão peremptória. Tsvetáeva atenua o fanatismo da forma, que é a nossa herança moderna. Nela, um coração profundamente arcaico nos transmite «batidas que dão a exata pulsação do século».

Contra Sainte-Beuve

Marcel Proust

CONTRA SAINTE-BEUVE

Contra Sainte-Beuve é o livro sombra de Em busca do tempo perdido. Antes de escrever sua obra-prima, Marcel Proust elabora neste livro as suas considerações mais profundas sobre a necessidade de escrever. Encontra-se aqui o arcabouço teórico de Em busca do tempo perdido. Proust revela o significado de sua escrita: dar forma à memória pessoal, fazê-la emergir de objetos vistos como ordinários. Escrever para dar uma marca da própria existência, que do contrário estaria perdida, na convicção de que nada parecido fora escrito antes. Contra Sainte-Beuve é um texto de extraordinária intensidade, sobretudo por sua forma direta.

Um misto de crítica literária e confissão pessoal, é um documento único da construção de uma obra imortal. Se na Busca do tempo perdido, de fato, é encenada a esplêndida construção artística é somente em Contra Sainte-Beuve que se há a oportunidade de sentir o pensamento em ato que se esconde por trás da obra-prima.

Aqueles que queimam livros

George Steiner

AQUELES QUE QUEIMAM LIVROS

Os livros são a nossa chave de acesso para nos tornarmos melhores do que somos. A capacidade deles de produzir essa transcendência suscitou discussões, alegorizações e desconstruções sem fim. O encontro com o livro, assim como com o homem ou a mulher, que vai mudar a nossa vida, frequentemente em um instante de reconhecimento do qual não se é consciente, pode ser completamente casual. O texto que nos converterá a uma fé, nos fará aderir a uma ideologia, dará a nossa existência um fim e um critério, podia estar ali a nos esperar na estante dos livros em promoção, dos livros usados e em desconto. Talvez empoeirado e esquecido, na estante exatamente ao lado do livro que procurávamos.

As palavras não são deste mundo

Hugo von Hofmannsthal

AS PALAVRAS NÃO SÃO DESTE MUNDO

Entre as correspondências que Hugo von Hofmannsthal guardou (1874-1929), as cartas trocadas na juventude com Edgar Karg (1872-1905) ocupam um lugar de destaque, tanto que próprio poeta chegou a pensar em publicar boa parte delas, em uma antologia que recolheria o melhor da sua produção juvenil. Ao mesmo tempo que o seu precoce talento é celebrado nos círculos literários, Hofmannsthal procura aqui aproximar à própria existência de «poeta» um amigo que, ocupado nos serviços da Marinha frequentemente muito distantes, não pode compartilhar com ele a mesma riqueza cultural. Não se tratava, porém, de fazer trabalho de baixa divulgação, mas, sim, de liberar a poesia da atmosfera artificiosa dos salões e das academias, colocando-a em relação à existência dos homens. Temas e problemas que desempenham um papel fundamental na sua obra e em boa parte da poesia moderna, são, aqui, enfrentados de maneira imediata, e são continuamente confrontados e relacionados às experiências cotidianas e aos afetos comuns. De um lado os primeiros passsos dados por Hofmannsthal no «caminho em direção à vida», na tentativa de romper, graças a essa amizade, o isolamento do artista. Do outro uma límpida, inédita perspectiva sobre a reflexão empreendida por Hofmannsthal sobre a literatura, sobre a sua relação com a vida, e em geral sobre a amizade e a formação do indivíduo. Um daqueles raros casos em literatura em que a expressão une felizmente imediatismo e profundidade.

Viagem na Rússia

Joseph Roth

VIAGEM NA RÚSSIA

No verão de 1926, o Frankfurter Zeitung propôs a Joseph Roth uma viagem à Rússia. Apesar dos primeiros anos de entusiasmo pela revolução, quando assinava como «Roth, o Vermelho», ele atravessava, agora, um período de dúvida: assim viu a viagem como uma preciosa  ocasião para verificar suas convicções. Atencioso, curioso, vagou pelas grandes cidades, seguiu o curso do Volga, embrenhou-se entre os povos da Ásia, escrevendo no calor do momento suas correspondências. No início, sua atitude é de  forte simpatia por esse mundo em formação. Mas sua lucidez lhe permite ver a miséria sombria daquele «homem novo» que já se encontra em cada esquina. Enquanto legiões de escritores ocidentais visitariam a Rússia por décadas, competindo (com poucas exceções) em cegueira e servilismo, Roth viu e soube narrar tudo aquilo que então se podia ver.

Estas páginas vibram não apenas pela arte magistral do escritor, mas pela clarividência do testemunho. A Walter Benjamin, quando se encontraram em Moscou, Roth disse ter partido bolchevique e regressado monárquico. Esta viagem é um dos primeiros testemunhos iluminados de um escritor ocidental sobre a Rússia soviética, mas também marca um passo decisivo na evolução de Roth. Como lemos em uma carta que ele enviou de Odessa para Bernhard von Brentano: «É uma grande fortuna ter feito esta viagem na Rússia: do contrário nunca teria me encontrado».

Contra a bomba atômica

Elsa Morante

CONTRA A BOMBA ATÔMICA

No prefácio a este impressionante Pró ou contra a bomba atômica, da escritora italiana Elsa Morante, o pesquisador e tradutor Davi Pessoa chama a atenção para o quanto essa reunião de textos-ensaios se cumpre, politicamente, a partir de um emaranhado em potência contra um sistema da desintegração. Elsa é um caso singular entre ação livre e invenção severa de escrita e pensamento, porque imagina mundos que ainda podem advir da literatura exatamente quando a projeta como forja e mistério. Tal como diz Giorgio Agamben ao sugerir que para ela, na literatura, a vida se apresenta misteriosamente. É o que se infere, por exemplo, em seus livros L’Isola di Arturo [1957] ou La Storia [1974], que podem ser lidos como uma espécie de estocada em torno da desumanização [que não é tratada como um tema nem com doses sentimentais próprias do que impera midiaticamente ao nosso redor], mas quando a felicidade, este tema sério e a sério, acontece como uma paródia e como um limbo.

É a experiência da ficção-crítica levada ao extremo da fabulação, procedimento também caro a Pasolini, um melhor entre os amigos, e a Alberto Moravia, companheiro de uma vida quase-inteira. O  empenho de Elsa para com o despojamento da ficção ao gesto de repetir até tocar um diferimento para o incomum, o ensaio, nesta reunião publicada dois anos depois de sua morte, em 1987, desfaz os termos, os conceitos, a fragilidade dos gêneros, e reabre um apontamento acerca disso que insistimos, com todo teor conservante, em chamar de contemporâneo. Diz ela: “As classes dirigentes contemporâneas, penosa expressão da cultura pequeno-burguesa, batem verdadeiramente o recorde da diminuição humana: conciliando, ao mesmo tempo, a frustração do erotismo e o sono da razão.”

E vale muito o esforço expandido, também político para publicar este livro no Brasil diante de tantas afirmativas óbvias que o recusaram. Ao lê-lo, com vagar e a fundo, entende-se bem alguns motivos. Um deles é que onde prolifera pensamento não brota o “romancezinho” ou o “criticozinho”. Agora temos finalmente circulando entre nós este livro urgente.

Manoel Ricardo de Lima

Ler e escrever

V.S. Naipaul

LER E ESCREVER

Naipaul mais de uma vez retomou com a memória ao tempo em que, ainda criança em Trinidad, ele sonhava em se tornar um grande escritor. Mas jamais nos havia contado com a vibrante força destas páginas como se aproximou à escrita e, antes ainda, à leitura; como conseguiu criar, em uma colônia na periferia do Império Britânico, um mundo só seu, alheio à literatura na qual se formou. Nem jamais havia confessado em que medida a relação com a Índia – «a grande ferida» de todos os emigrantes indianos nas ilhas do Novo Mundo – agiu em profundidade na sua vida, suscitando um jogo dramático de atrações e resistências. Aos poucos, Naipaul entendeu que a tarefa da sua obra literária era a tenaz exploração daquelas «áreas de escuridão» que marcaram sua infância e juventude. E, enquanto isso ocorria, mudava e se definia cada vez mais claramente nele o significado das obscuras potências que respondem pelo nome de ler e escrever. Esse emaranhado de questões encontrou voz em 2000, no ensaio que dá o título ao volume e, no ano seguinte, como uma espécie de conclusão natural, em seu discurso em ocasião do Prêmio Nobel.

Contra as eleições

David van Reybrouck

CONTRA AS ELEIÇÕES

As últimas eleições têm confirmado o auge de populismos baseados no medo e na desconfiança generalizada das elites. As eleições tornaram-se concursos de popularidade em vez de serem um debate racional de propostas.

Como explica este livro brilhante, o objetivo inicial das eleições foi excluir as pessoas do poder selecionando uma elite para governá-las. Na verdade, durante a maior parte dos 3.000 anos de história da democracia, as eleições não existiam, e os cargos eram repartidos usando uma combinação de sorteios e voluntários que se ofereciam.

A partir de estudos e exemplos de todo o mundo, este manifesto influente e radical apresenta uma proposta real para uma verdadeira democracia, uma democracia que realmente funcione. Urgente, heterodoxo e extremamente persuasivo, Contra as eleições deixa apenas uma pergunta a ser respondida: "O que estamos esperando?".

"A eleição de nossos governantes com o voto popular não logrou em um autêntico governo democrático: esse parece ser o veredicto da história que se desenrola diante de nossos olhos...Talvez tenha chegado o tempo para essa idéia." J.M. Coetzee

Confissões de um Herético

Roger Scruton

CONFISSÕES DE UM HERÉTICO

Esta coletânea de artigos é fruto de uma década de engajamento com a cultura britânica e norte-americana. Alguns foram publicados em papel, outros na internet, outros ainda estão sendo apresentados ao público pela primeira vez aqui. Descrevo-os como confissões, uma que vez revelam aspectos de meu pensamento que, caso as palavras de meus críticos sejam levadas a sério, deveriam ter sido mantidos em segredo. Compilei material de cunho acadêmico e me esforcei para incluir somente artigos que lidam com assuntos que interessam a qualquer pessoa inteligente, nos tempos voláteis em que vivemos.

 Roger Scruton

Ocidente sem utopias

Massimo Cacciari Paolo Prodi

OCIDENTE SEM UTOPIAS

Profecia e Utopia, duas categorias fundantes do desenvolvimento do Ocidente moderno. A tensão dialética que as caracterizou ao longo dos séculos e o dualismo institucional que se criou entre o poder religioso e o poder político permitiram ao Ocidente a conquista de suas liberdades, do Estado de direito e da própria democracia. Hoje, quando qualquer projeto utópico parece esvanecido, o declínio da Europa não pode ser lido apenas como uma corrupção das regras e das instituições, mas como consequência de uma crise de civilização.

A política do impossível

Stig Dagerman

A POLÍTICA DO IMPOSSÍVEL

Stig Dagerman nos obriga a colocar em dúvida as verdades recebidas e a  nos olhar no espelho, como indivíduos, como sociedade, mas sobretudo como seres humanos. Rebelde à injustiça em todas suas formas de manifestação, sua obra preserva uma forte atualidade, assim como sua reflexão política e cultural. A essa faceta do grande autor sueco é dedicada essa antologia de escritos publicados em jornais e revistas literárias e anárquicas. Com uma surpreendente capacidade de ler o próprio tempo e prever o nosso, com sua coerência extrema, Dagerman denuncia as «gaiolas» da moderna democracia, mas sobretudo reivindica o papel da literatura «de mostrar o significado da liberdade», de provocar as consciências para resgatar o homem e seus valores fundamentais: a igualdade, a defesa dos mais fracos, a solidariedade. E confessa seu conflito de escritor dividido entre o empenho social e a inviolável autonomia da imaginação, que deve seguir livremente os próprios caminhos para «tocar o coração do mundo». Se a política é definida a arte do possível, isto é, dos limites, do compromisso, da renúncia à esperança, Dagerman defende com toda sua força a necessidade de uma «política do impossível».